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Ninguém sabe tudo, ninguém ignora tudo, só todos juntos sabemos alguma coisa <> PAULO FREIRE *filósofo*
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Fado dos azulejos

Ary dos Santos / Martinho d’Assunção
Repertório de Carlos do Carmo

Azulejos na cidade / Numa parede ou num banco
São ladrilhos da saudade / Vestida de aul e branco

Bocados da minha vida / Todos vidrados de mágoa
Azulejos despedida / Dos meus olhos rasos de água

Á flor de um azulejo, uma menina
Do outro, um cão que ladra e um pastor;
Ai moldura pequenina
Que és a banda desenhada
Nas paredes do amor

Azulejos desbotados / Por quantos viram chorar
Azulejos tão cansados / Por quantos viram passar

Podem dizer-vos que são / Podem querer-vos maltratar
De dentro do coração / Ninguém vos pode arrancar

Á flor do azulejo, um passarinho
Um cravo e um cavalo de brincar;
Um coração com um espinho
Uma flor de azevinho
E uma côr azul luar
Á flor dum azulejo, a côr do Tejo
E um barco antigo, ainda por largar;
Distância que já não vejo
E enche Lisboa de infância
E enche Lisboa de mar