Repertório do autor
Consta que o fado nasceu no Cais da Ribeira
Mulato boémio gingão por uma varina
Cativa dum certo Lundum que ficou da galera
Que zarpou para o Brasil com os escravos
Do sangue e da sina
Do sal o lamento
Cativa dum certo Lundum que ficou da galera
Que zarpou para o Brasil com os escravos
Do sangue e da sina
Do sal o lamento
A canção que ainda cá se venera
Como as velas das naus
Como as velas das naus
É matriz da nossa memória
A morna saudade
A morna saudade
O chorinho da canção marinheira
O leme é a guitarra que geme
No cordame da estória
Quando a gente se entristece
P’ra o sentir como se fosse sagrado
Qualquer coisa de feitiço
De boémio de mestiço, há no fado;
Ou talvez mais que destino para um povo
Seja o mito de um passado sempre novo
De quem deu à escravatura liberdade
Com o timbre do destino da saudade
Diz-se também por aí que é aristocrata
Por mor dum fidalgo fadista
Seja o mito de um passado sempre novo
De quem deu à escravatura liberdade
Com o timbre do destino da saudade
Diz-se também por aí que é aristocrata
Por mor dum fidalgo fadista
Amigo da farra
Que toureava montado a cavalo
Que toureava montado a cavalo
De tricórnio e casaca
E que em vez de piano
E que em vez de piano
Na sala tinha uma guitarra
Porém há quem diga também
Porém há quem diga também
Que o fado é cigano
Que a lendária Severa o cantava
Que a lendária Severa o cantava
À noite à meia porta
Que o símbolo do dito maior
Que o símbolo do dito maior
É bem lusitano
Porém o fado hoje é do mundo
Porém o fado hoje é do mundo
E isso é que conta