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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa.
Paulo Freire *filósofo* 1921 <> 1997

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Eléctrico de Lisboa

Mário Raínho / Nuno Nazareth Fernandes
Repertório de Cidália Moreira

Ainda a última estrela
Do céu não desapareceu
Já um eléctrico tagarela
Subiu Lisboa e desceu

Leva um cabo sobre o ombro
Como mastro dum navio
Desce a calçada do Combro
Como um barco desce o rio

Tens janelas de ternura / Donde espreitas com enleio
Esse puto que à pendura / Se esconde do guarda-freio
Ai, eléctrico de Lisboa / Que és minha cara metade
És mais que qualquer pessoa / Um pedaço da cidade

Dentro da tua viagem
Essa memória alfacinha
Perde-se nessa paisagem
Que afinal é tua e minha

Transportas no teu regaço
Povo que é teu passageiro
Aqui te deixo um abraço
Ó meu velho companheiro