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Tenho vindo a publicar letras (de autores que já partiram) sem indicação de intérpretes ou compositores na esperança de obter informações detalhadas sobre os temas.
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As letras publicadas referem a fonte de extração, ou seja: por falta de informação nem sempre são mencionados os criadores dos temas aqui apresentados.
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Casa de Fados

Desgarrada no filme de Carlos Saura
Direitos autorais reservados


Vicente da Câmara
Uma amizade perdida
Nunca mais pode voltar
É amizade fingida
Se vai e volta a brincar

Ninguém dá nada, se atrás
Não vier contra-valor
Só um amigo é capaz
Sem receber dar amor

Maria da Nazaré
Minha mãe, eu canto a noite
Porque o dia me castiga
É no silêncio das coisas
Que eu encontro a voz amiga

Minha mãe, eu choro a noite
Neste amor em que me afundo
Porque as palavras da vida
Já não têm outro mundo

Por isso sou este canto
Minha mãe, tão magoado
Que visto a noite em meu corpo
Sem destino, mas com fado

Ana Sofia Varela
Talvez o fado me diga
O que ninguém quer dizer
E por isso eu o persiga
Para nele me entender

Meu amor tenho cantado
Sobre um céu tão derradeiro
Que me entrego em cada fado
Como se fosse o primeiro

Talvez o fado não peça
Tudo aquilo que lhe dou
Por isso por mais que o esqueça
Ele não esquece o que eu sou

Carminho
Chorava por te não ver
Por te ver eu choro agora
Mas choro só por querer
Querer ver-te a toda a hora

Passa o tempo de corrida
Quando falas eu te escuto
Nas horas da nossa vida
Cada hora é um minuto

Deixa-te estar a meu lado
E não mais te vás embora
Para meu coração coitado
Viver na vida uma hora

Ricardo Ribeiro
Não tenham medo da fama
De Alfama mal-afamada
A fama ás vezes difama
Gente boa, gente honrada

Pedro Moutinho

Fadistas venham comigo
Ouvir o fado vadio
E cantar ao desafio
Num castiço bairro antigo

Ricardo Ribeiro
Vamos lá, como eu lhes digo
E hão-de ver de madrugada
Como foi boa a noitada
No velho bairro de Alfama;
Não tenham medo da fama
De Alfama mal-afamada

Pedro Moutinho
Eu sei que o mundo falava
Mas por certo, com maldade
Pois nem sempre era verdade
Aquilo que se contava

Ricardo e Pedro
Muita gente ali, levava
Viva sã e sossegada
Sob uma fama malvada
Que a salpicava de lama;
A fama ás vezes difama
Gente boa, gente honrada