Repertório de Helena Sarmento
Há no céu estrelas inúteis e belas, luzes de ninguém
Vogando perdidas da luz, sentinelas, portas do além
Luzes tão distantes, segredos de amantes de beijos furtivos
Dão sombra ao pecado de corpos no fado dos cinco sentidos
E se p'la manhã, no render do cansaço, elas vão embora
O braço no braço, o nó do abraço, marca de novo a hora
Já que o amor assim quis... a tua sina te diz
Que até morrer terás de querer ser sempre feliz
Futuro... esse vento inconstante
De repente um instante que o presente não ensina
Tu podes mentir, falar das linhas da mão
Mas ai, quer queiras quer não, tens de escrever a tua sina
À hora marcada, a tarde vencida, estrela cadente
De novo esta luz de dois corpos nus depois do poente
Amor que a rotina de amor os domina e amarra perdidos
Os dois ancorados no cais dos deitados dos cinco sentidos
E quando as estrelas descidas da noite caírem na rua
À procura da vida que os amantes habita com ecos de lua
E das sombras saírem cores e o grito que não se ensina
É outra a luz que as seduz, amor como sina
Presente... esse feitiço do tempo
Tudo num só momento que o futuro não domina
Tu podes mentir, falar das linhas da mão
Mas ai, quer queiras quer não, tens de escrever a tua sina