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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa.
Paulo Freire *filósofo* 1921 <> 1997

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Novo fado da sina

João Gigante Ferreira / Jaime Mendes *fado da sina*
Repertório de Helena Sarmento

Há no céu estrelas inúteis e belas / Luzes de ninguém
Vogando perdidas da luz sentinelas / Portas do Além
Luzes tão distantes / Segredos de amantes / De beijos furtivos
Dão sombra ao pecado / De corpos no fado / Dos cinco sentidos

E se pela manhã no render do cansaço / Elas vão embora
O braço no braço o nó do abraço / Marca de novo a hora
Já que o Amor assim quis / A tua sina te diz
Que até morrer / Terás de querer / Ser sempre feliz

Futuro
Esse vento inconstante
De repente um instante
Que o presente não ensina
Tu podes mentir
Falar das linhas da mão
Mas ai, quer queiras quer não
Tens de escrever a tua sina

À hora marcada / A tarde vencida / Estrela cadente
De novo esta luz / De dois corpos nus / Depois do poente
Amor que a rotina / De amor os domina / E amarra perdidos
Os dois ancorados / No cais dos deitados / Dos cinco sentidos

E quando as estrelas descidas da noite / Caírem na rua
À procura da vida que os amantes habita / Com ecos de lua
E das sombras saírem cores / E o grito que não se ensina
É outra a luz / Que as seduz: / Amor como sina

Presente
Esse feitiço do tempo
Tudo num só momento
Que o futuro não domina
Tu podes mentir
Falar das linhas da mão
Mas ai, quer queiras quer não
Tens de escrever a tua sina