Repertório de Fernanda Maria
De quando em quando, da minha água furtada
Meus olhos vão procurando d'outros olhos a morada
Vagueio a vista p'la viela adormecida
Mas nem sombras do fadista, do fado da minha vida
Zé da melena
Onde estás que não te vejo
Vem que a noite está serena
Como a carícia dum beijo
Vem á viela
Que a minha voz não resiste
Atirar-te da janela
O fado dum amor triste
Vem de mansinho por sob o luar de prata
Que te ilumina o caminho da nocturna serenata
Traz a guitarra que aos palácios foi gemer
Não te esqueças da samarra, de manhã pode chover
Zé da melena
Quem dera fosse verdade
Mas sonhar não vale a pena
Com as penas da saudade
Zé da melena
Tu pertences ao passado
Para quê trazer á cena
Relíquias do velho fado