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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa.
Paulo Freire *filósofo* 1921 <> 1997

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Mãos vidreiras

Letra e musica de Francisco Correia Moita
Repertório de Deolinda Bernanrdo

Olhai p’ra estas mãos que aqui vêdes
Já foram pequeninas e formosas
Leves e macias como lírios
Rosadas e frescas como rosas

Mãos que foram dóceis em criança
Hoje são áridas brutais
Que não tendo a graça das ilustres
Valem certamente muito mais

Mãos vidreiras que o gás do forno queimou
Mãos vidreiras que o trabalho calejou
Mãos vidreiras que só fazem obras de arte
Mãos que sabem ser vidreiras
Honradas em toda a parte

Ohai p’ra estas mãos trabalhadoras
Pelo rigor da vida transformadas
Mãos que nunca foram ociosas
Mas pelo trabalho calejadas

Mãos que se irmanam com o fogo
Trabalhando o vidro em bulição
Mãos que são a alma de um povo
Na sua dura vida e duro pão