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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre
PAULO FREIRE *filósofo* 19.09.1921 / 02.05.1997
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Marcha da Madragoa 1980

Jorge Rosa / Fontes Rocha
Repertório de Maria da Fé


Ainda Lisboa sonha e dorme a sonho solto
E o luar passeia envolto
No seu manto de mil estrelas
A Madragoa, já toda ela se agita
Airosa, fresca, bonita
Num bailado de chinelas

Ainda o galo não canta o seu bom dia
Já o meu bairro á porfia
Trabalha de que maneira
É um regalo ver cortejos de varinas
Descendo a Rua das Trinas
A caminho da Ribeira

Madragoa, chinela no pé / Jeito de maré, p’ra cá e p’ra lá
Madragoa, canastra á cabeça / Ligeira na pressa que a vida lhe dá
Madragoa, festiva gaivota / Que grita na lota, que canta e apregoa
Madragoa, salgada e ladina / Vistosa varina, cartaz de Lisboa

A Madragoa que canta desde menina
Cantigas que o mar ensina
Com o mar dança também
Doa a quem doa, é dos bairros a rainha
E a coisa mais alfacinha
De quantas Lisboa tem

E se abençoa a fé dos seus monumentos
Pois igrejas e conventos
Dão-lhe fé e caridade
Á Madragoa não falta desde criança
Toda a virtude da esperança
Que é a esperança da cidade