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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa.
Paulo Freire *filósofo* 1921 <> 1997

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Asas no tempo

Carlos Escobar / Carlos Barra
Repertório de João Tenreiro

Cabeça de vento, sem asas no tempo
Vem cá velha amiga
Que em tem tempo de mágoa me deste o teu braço
Seguiste o teu rumo, laranja sem sumo
O vento voando e o teu corpo vergando á lei do cansaço

Quiseste dar vida à vida perdida
E a vida deixou-te
Deu corda, enforcou-te na corda da vida
Dançaste, dançaste, rodaste, rodaste
Pião a rodar, a girar a girar numa luta vencida

És trigo maduro que só deu pão duro
Seara cortada em manhã de geada, raiz a secar
Perdoa a descrença e o preto da tinta
Mas estava cá dentro e a raiva que sinto não deixa que minta

Vem cá velha amiga um ombro um abraço
Descansa-se se queres
E quando quiseres acerta o teu passo
A vida sem vida foi vida vendida
Mas és força viva, não deixes que a vida te faça palhaço

Adeus velha amiga, amante perdida
Amante amores, de poucos valores e travo na boca
A cama é só minha, a casa é tão fria
Eu tenho o que tenho, tu tens o que tinhas
A noite vazia