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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa.
Paulo Freire *filósofo* 1921 <> 1997

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Fado do cacilheiro

Paulo da Fonseca / Carlos Dias
Repertório de José Viana

Quando eu era rapazote
Levei comigo no bote... Uma varina atrevida
Manobrei e gostei dela
E lá me atraquei a ela... Pró resto da minha vida

Ás vezes, numa pessoa
A idade não perdoa... Faz bater o coração
Eu sinto grande vaidade
Em viver a mocidade.... Dentro desta geração

Sou marinheiro
Neste velho cacilheiro
Dedicado companheiro
Pequeno berço do povo
E navegando
A idade vai chegando
O cabelo branqueando
Mas o Tejo é sempre novo

Todos moram numa rua
A que chamam sempre sua... Mas eu cá, não os invejo
O meu bairro é sobre as águas
Que cantam as suas mágoas... E a minha rua é o Tejo

Certa noite de luar
Vinha eu a navegar... E de pé, junto da proa
Eu vi, ou então sonhei
Que os braços do Cristo Rei... Estavam a abraçar Lisboa