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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa.
Paulo Freire *filósofo* 1921 <> 1997

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Fado da viagem

António Lúcio Vieira / Paco Bandeira
Repertório de Margarida Bessa


Essa gente que se acende, que conversa com o gado
Que come pão amassado, com fermento de luar
Essa gente que me entende, sai de noite para a vida
Volta sem vida p’ro lar

Nasce como um Potro no cercado
Chora sem saber porque chorar
Compra uma navalha no mercado
A pensar que amanhã se irá vingar;
Bebe o vinho novo com prazer
Compra umas cabeças na Golegã
Diz que brevemente há-de chover
E que a miséria virá como a tercã

Parte a mondar arrozais e a boca sabe-lhe a lodo
Ama a charneca a seu modo, dorme com ela na eira
Essa gente que me entende, enfrenta a sorte ao nascer
E morre em dia de feira

Larga na lezíria a raiva antiga
E a raiva morre longe e não se arranca
Um dia vai perder sonhos e vida
E morrer duma cornada em Vila Franca;
Bebe o vinho novo com prazer
Compra umas cabeças na Golegã
Diz que brevemente há-de chover
E que a miséria virá como a tercã