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Ninguém sabe tudo, ninguém ignora tudo, só todos juntos sabemos alguma coisa <> PAULO FREIRE *filósofo*
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Vou dar de beber á alegria

Alberto Janes / Manuel Paião / Eduardo Damas
Repertório de Hermínia Silva

Passei ontem pela rua onde morava
A cantada e recantada Mariquinhas
E qual não é o meu espanto, olho e vejo por encanto
Outra vez lá nas janelas, tabuínhas;
Corri e bati á porta, e até fiquei quase morta
Quando ela se abriu pelas alminhas
Pois quem veio a porta abrir e a sorrir
Era mesmo a Mariquinhas

Ai a Mariquinhas está tão linda!...
Está mais gordinha!... pesa 100 kilos
Mas como gordura é formusura

Ela não se importa nada com isso
Estava a comer jaquinzinhos

Eu entrei e abracei a Mariquinhas
Que me contou que um senhor de falas finas
Lhe deu a casa que é sua, pôs o prego na rua
E correu com o tal senhor que era lingrinhas;
Mandou caiar as paredes
Pôs cortinados de chita nas janelas tão bonitas, ás bolinhas
E por fora, p’ra chatear as vizinhas
Janelas com tabuínhas

Bem feito!... lá na rua ficaram todas danadas
Agora já não podem deitar para lá os mirones... é claro
De que é que ela se foi lembrar!
É uma grande camarada, a Mariquinhas

Já tiraram os caixilhos ás voltinhas
E as janelas já estão todas catitinhas
E p’ra afastar os temores dos enguiços dos penhores
Defumou a casa toda com ervinhas;
Pôs incenso das igrejas

E p’ra acabar c’oas invejas
Pôs um chifre atrás da porta... ás voltinhas
E na cama, uma colcha feita á mão, debruada com bolinhas

Ai... a Mariquinhas é muito prendada
Estava a fazer uma colcha toda em crochet
Jé ma ofereceu!... diz que é para eu estrear no Natal
A colcha pesa 50 kilos
Já me estou a ver pela porta fora com a colcha ás costas

Lá está tudo, tudo, tudo, até o xaile
E a guitarra enfeitada com fitinhas
E sob a cama, reparo... um peniquinho de barro
Qu é bonito e pintadinho com florinhas;
E eu fiquei tão contente, que ficamos calmamente
A beber até de manhã, umas pinguinhas
Pois agora volta tudo ao tempo antigo
Na casa da Mariquinhas