... e porque nem só de fado vive a alma portuguesa ...

*encontrará neste blogue letras de algumas canções que merecem ser perpetuadas*
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Tenho vindo a publicar letras (de autores que já partiram) sem indicação de intérpretes ou compositores na esperança de obter informações detalhadas sobre os temas.
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As letras publicadas referem a fonte de extração, ou seja: por falta de informação nem sempre são mencionados os criadores dos temas aqui apresentados.
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O1/01/2026 <> 8.145 letras publicadas <> 4.625.000 VISITAS

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Calçada de Carriche

António Gedeão / José Niza
Repertório de Carlos Mendes


Luísa sobe, sobe a calçada
Sobe e não pode que vai cansada
Sobe, Luísa, Luísa, sobe
Sobe que sobe, sobe a calçada


Saiu de casa de madrugada
Regressa a casa é já noite fechada
Na mão grosseira de pele queimada
Leva a lancheira desengonçada
Anda, Luísa, Luísa, sobe
Sobe que sobe, sobe a calçada


Luísa é nova, desenxovalhada
Tem perna gorda, bem torneada
Ferve-lhe o sangue de afogueada
Saltam-lhe os peitos na caminhada
Anda, Luísa. Luísa, sobe
Sobe que sobe, sobe a calçada


Passam magalas, rapaziada
Palpam-lhe as coxas, não dá por nada
Anda, Luísa, Luísa, sobe
Sobe que sobe, sobe a calçada


Chegou a casa, não disse nada
Pegou na filha, deu-lhe a mamada
Bebeu a sopa numa golada
Lavou a loiça, varreu a escada

Deu jeito à casa desarranjada
Coseu a roupa já remendada
Despiu-se à pressa, desinteressada
Caiu na cama de uma assentada

Chegou o homem, viu-a deitada
Serviu-se dela, não deu por nada
Anda, Luísa. Luísa, sobe
Sobe que sobe, sobe a calçada


NÃO GRAVADO
Na manhã débil, sem alvorada
Salta da cama, desembestada

Puxa da filha, dá-lhe a mamada
Veste-se à pressa, desengonçada

Anda, ciranda, desaustinada
Range o soalho a cada passada

Salta prá rua, corre açodada
Galga o passeio, desce a calçada
Chega à oficina à hora marcada

Puxa que puxa, larga que larga
Toca a sineta na hora aprazada
Corre à cantina, volta à toada
Puxa que puxa, larga que larga

Regressa a casa é já noite fechada
Luísa arqueja pela calçada