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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa.
Paulo Freire *filósofo* 1921 <> 1997

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Colchetes de oiro

Henrique Rego / Popular *fado corrido
Repertório de Alfredo Marceneiro

Toma lá colchetes d’oiro
Aperta o teu coletinho
Coração que é de nós dois
Deve andar conchegadinho

P’ra ficar mais lindo ainda / Teu coletinho de rendas
Aqui trago minha querida / A mais modesta das prendas
Não quero que tu te ofendas / Nem que tomes por desdoiro
Não te ofertar um tesouro / Digno de teu coração
Mas dados por minha mão

 Toma lá colchetes d’oiro

São minúsculas estrelas / Que se perderam no ar
E a lua p’ra reavê-las / Pôs de atalaia o luar
Ainda as pude apanhar / No meu nocturno caminho
E fiz delas com carinho / Estes colchetes, portanto
Minha boneca de encanto
Aperta o teu coletinho


Se fores de noite à rua / Deves guardá-los com jeito
Não quero que a dona lua / Toque ao de leve o teu peito
Que eu sempre guardei respeito / Pela grandeza dos sóis
Mas vim a saber depois / E fiquei compenetrado
Que deve ser respeitado

Coração que é de nós dois

Os corações dos amantes / Só se conseguem prender
Com colchetes florantes / Dos que te vim oferecer
Mais tarde quando nascer / Do nosso amor, um filhinho
Na doçura deste ninho / Nos dirá por sua vez
Coração que é de nós três
Deve andar conchegadinho