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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa.
Paulo Freire *filósofo* 1921 <> 1997

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Ao poeta perguntei

Alberto Janes
Repertório de Amália

Ao poeta perguntei
Como é que os versos assim aparecem
Disse-me só: eu cá não sei
São coisas que me acontecem;
Sei que nos versos que fiz
Vivem motivos dos mais diversos
Mas também sei que sendo feliz
Não saberia fazer os versos

Ó meu amigo, não penses que a poesia
É só a caligrafia no perfeito alinhamento;
As rimas são asim como um coração
Em que cada pulsação nos recorda sofrimento;
E nos meus versos podem não haver medida
Mas o que há sempre, são coisas da própria vida

Fiz versos como faz dia
A luz do sol sempre ao nascer
Eu fiz os versos, porque os fazia
Sem me lembrar de os fazer;
Como a expressão e o jeito
Que p'ra cantar se vai dando á voz
Todos os versos andam já feitos
De brincadeira, dentro de nós

E assim amigo, já viste que a poesia
Não é só caligrafia... são coisas do sentimento