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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre
PAULO FREIRE *filósofo* 19.09.1921 / 02.05.1997
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Duas cantigas

Jorge Rosa / António Redes Cruz
Repertório de Maria Amélia Proença

Duas cantigas, improvisadas cantigas
Bastavam pras nossas brigas
Deixarem de ter razão
Duas cantigas, amorosas, ternurentas
Para afastar as cinzentas
Nuvens, do meu coração

Duas cantigas, mote de todos os dias
Chorrilho de fantasias
Em que sempre acreditei
Até ao dia que pus cobro à cantoria
Que disse alto à melodia
E fui eu que lhas cantei

Desde essa hora
O seu pio foi-se embora
E não perde p’la demora
Se volta às modas antigas
Porque eu agora
Sei onde a verdade mora
E não vou lá como outrora
Assim com duas cantigas

Duas cantigas, feitas de frases bonitas
Para adoçar as desditas
De algum maldito ciúme
Duas cantigas, buriladas, atrevidas
Mas sempre com as devidas
Fantasias do costume

Duas cantigas p’ra me levarem à certa
Com muita maldade esperta
De que nunca duvidei
Até ao dia que pus cobro à cantoria
Que disse alto à melodia
E fui eu que lhas cantei