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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa.
Paulo Freire *filósofo* 1921 <> 1997

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Canção do cigano

Frederico de Brito / Vasco de Macedo
Repertório de Alberto Ribeiro

Pela raia de Espanha, nas sombras da noite
Passava um cigano no seu alazão
O vento brandia seu nórdico açoite
E as folhas rangiam, caídas no chão

E já embrenhado no Alto Alentejo
Nas sombras da noite, tingidas de breu
Nem mais uma praga, nem mais um desejo
Aos ecos distantes o pobre gemeu

Não há maior desengano
Nem vida que dê mais pena / Do que a vida dum cigano
Atravessar a fronteira
Para ser atravessado / Por uma bala certeira

E tudo porque o destino / Só fez dele um peregrino
Companheiro do luar
Um pobre judeu errante / Que não tem pátria nem lar

E o contrabandista temido e valente
Voltava de Espanha no seu alazão
Um tiro certeiro, um braço dormente
E um rasto de sangue marcado no chão