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Atingido este valor // Que me faz sentir honrado // Continuo, com amor // A ser servidor do fado.

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Fado rock

Artur Ribeiro / António Rebocho
Repertório de Alberto Ribeiro

Não é rock nem é fado 
Não é mambo nem chachado
Nem tem género no mercado p’ra quem toque
É o fado novo fado 

De outro modo cozinhado
Sincopado e misturado com o rock

Foi assim que o velho fado 

Foi torcido e massacrado 
Com baquetes torturado e num remoque
Acabou por ser cantado 
À moda do outro lado
E nasceu assassinado, o fado rock

Fado rock, é fado rock

Nem viola nem guitarra

Nem jaqueta nem samarra
Nem da banza se desgarra como outrora
Todo feito de algazarra
Anda de noite na farra
Fora de horas e da barra já não chora

Nem trinado nem corrido

Nem marcado nem gemido
Nem sequer está convencido de que é fado
Não é choro comovido

Não rima nem faz sentido
E desagrada ao ouvido mais tapado
Fado rock, é fado rock


Nem tipóia nem Severa
Nem fidalgos doutra era
Nem nenhuma cantadeira que o cante
Eu cá canto mas quem dera 

Que apareça alguma fera
Que coma a orquestra inteira neste instante

Quando canto o fado rock

Fico em transe, tenho um choque
Fico a tremer qual berloque pendurado
Que ninguém cante nem toque 

Música sem rei nem roque
Que é a mistura do rock com o fado

E assim foi o fado rock assassinado