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Ninguém sabe tudo, ninguém ignora tudo, só todos juntos sabemos alguma coisa <> PAULO FREIRE *filósofo*
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Carta do expedicionário

Linhares Barbosa / Alberto Ribeiro
Repertório de Alberto Ribeiro

Angra do Herísmo, Açores
Quarta-feira 6 de Agosto
Minha mãe, estou no meu posto
Portugal tem defensores

Isto é um jardim de flores/ Como outro mundo não tem
Terra de sonho... porém / Para falar-lhe verdade
Ando cheio de saudade
Minha boa e santa mãe

É a pátria, felizmente / Que dos seus braços me aparta
Não chore ao ler esta carta/ Que pode crer, estou contente

Não é só o Continente / Que é Portugal, é todo ele
A Terceira, São Miguel / Corvo, São Jorge, Graciosa
Mas falando doutra coisa
Beije por mim a Isabel

Diga-lhe que me desgosta / Estar aqui há três meses
Já lhe escrevi cinco vezes / Sem ter obtido resposta

Posso jurar que ela gosta / Só de mim, de mais ninguém
Mas saber-me-ia tão bem / Ter notícias qualquer dia
Diga-lhe que, todavia
Aceite beijos, também

Tem graça! mesmo só visto / Chegou agora o correio
E um maço de cartas veio / Da Isabel, tudo isto

P'las cinco chagas de Cristo / Sinto na alma um torpel
A boca sabe-me ao mel / Dos beijos dela e dos seus
Sem mais minha mãe, adeus
Do seu filho Manuel