Desconheço se esta letra foi gravada
Publico-a na esperança de obter informação credível
Informação de Francisco Mendes e Daniel Gouveia
Livro *Poetas Populares do Fado-Tradicional*
Para ser cantado pelo próprio.
Este fado foi encomendado por um amigo comum de Artur Soares Pereira e
Fernando Maurício, de alcunha o «Boca Grande», morador na Mouraria.
Escrito o fado, destinado a ser entregue ao cantador no dia em que se descerrou
Escrito o fado, destinado a ser entregue ao cantador no dia em que se descerrou
uma lápide na casa onde nasceu, na mesma rua onde morou e morreu a Severa
foi entregue ao «Boca Grande».
Entretanto, este morreu sem ter podido oferecer a letra a Fernando Maurício.
Entretanto, este morreu sem ter podido oferecer a letra a Fernando Maurício.
Assim o fado andou esquecido, até se realizar uma homenagem ao fadista
pela Academia da Guitarra Portuguesa e do Fado, em 1998.
Tendo sabido da festa, Artur Soares Pereira mencionou a existência da letra.
Tendo sabido da festa, Artur Soares Pereira mencionou a existência da letra.
Logo foi aproveitada para integrar a sessão, tendo sido cantada ao homenageado
como surpresa, por Daniel Gouveia, na Marcha do Marceneiro.
Fernando Maurício tomou então conhecimento de uma letra que tinha sido feita
Fernando Maurício tomou então conhecimento de uma letra que tinha sido feita
para si 30 anos antes e andava perdida.
Depois de lhe ter sido explicada a história, anunciou-se a presença, na sala, de
Depois de lhe ter sido explicada a história, anunciou-se a presença, na sala, de
Artur Soares Pereira, que Fernando Maurício conhecia, mas não via
há ainda mais tempo, abraçaram-se, tão comovidos que o grande fadista
não conseguiu reter as lágrimas.
Eu nasci na Mouraria
Quando eu nasci, quem diria
Ter comigo esta virtude
O dom de cantar o Fado
Nesse bairro abençoado
P’la Senhora da Saúde
Ao começar a cantar
Quando eu nasci, quem diria
Ter comigo esta virtude
O dom de cantar o Fado
Nesse bairro abençoado
P’la Senhora da Saúde
Ao começar a cantar
Fiz-me sempre apadrinhar
Por fadistas doutra era
Pois nasci, por sina minha
Pois nasci, por sina minha
Nessa viela estreitinha
Onde morreu a Severa
Os anos foram passando
Os anos foram passando
Eu fui crescendo e cantando
Fiz do Fado a minha lei
E hoje, já embranquecido
Não estou nada arrependido
De lhe dar tudo o que dei
A Mouraria não esquece
A Mouraria não esquece
Qualquer um que a engrandece
E eu já fui recompensado
Pois a casa onde nasci
Pois a casa onde nasci
Onde brinquei e cresci
Tem o meu nome gravado
Tem o meu nome gravado