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Canal de JOSÉ FERNANDES CASTRO em parceria com RÁDIO MIRA

RÁDIO apadrinhada pelo mestre *RODRIGO*

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AS LETRAS PUBLICADAS REFEREM A FONTE DE EXTRAÇÃO, OU SEJA: NEM SEMPRE SÃO MENCIONADOS OS LEGÍTIMOS CRIADORES
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ATINGIDO ESTE VALOR // QUE ME FAZ SENTIR HONRADO // CONTINUO, COM AMOR // A SER SERVIDOR DO FADO
POIS MESMO DESAGRADANDO // A TROIANOS MALDIZENTES // OS GREGOS VÃO APOIANDO // E VÃO FICANDO CONTENTES
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Desandar do fado

Conde Sobral / Alfredo Duarte *fado bailarico
Versão do repertório de Manuel Cardoso de Menezes

Quando Portugal buscava / O mundo pelo mar fora
No descanso a qualquer hora / Uma guitarra trinava
Então alguém que a escutava / Mais saudoso e comovido
Sentia-se como impelido / A cantar uma afeição
E abrindo o coração
O fado era sentido

Alguém descobriu um dia / Que o fado tinha beleza
E cometeu a vileza / De o tirar donde vivia
Desde então a fantasia / Num capricho desmedido
Roubou-lhe todo o sentido / Ensinou-lhe falsidade
E o que foi sinceridade
É hoje luxo vendido

Assim o fado à guitarra / Já não tem o improviso
Nem estila como é preciso / À sua graça bizarra
Não é boémio, nem farra / Pelos botequins soezes
Impera em tascos burgueses / Tem estribilho, é musicado
Hoje é tudo menos fado
E não lhe faltam fregueses 
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Versão original
Do livro *Poetas do Fado Tradicional de:
Daniel Gouveia e Francisco Mendes

O fado era sentido
Desafogo de revezes
É hoje luxo vendido
E não lhe faltam fregueses


Quando Portugal buscava / O mundo pelo mar fora
No descanso a qualquer hora / Uma guitarra trinava
Então alguém que a escutava / Mais saudoso e comovido
Sentia-se como impelido / A cantar uma afeição
E abrindo o coração
O fado era sentido

Trazido por quem voltou / O fado que assim nasceu
Foi cantar de quem sofreu / Sofrer de quem o cantou
Mas para sempre ficou / No sentir dos portugueses
Que o escutavam muitas vezes / Em Alfama e Mouraria
E era quando se ouvia
Desafogo de revezes

Alguém descobriu um dia / Que o fado tinha beleza
E cometeu a vileza / De o tirar donde vivia
Desde então a fantasia / Num capricho desmedido
Roubou-lhe todo o sentido / Ensinou-lhe falsidade
E o que foi sinceridade
É hoje luxo vendido

Assim o fado à guitarra / Já não tem o improviso
Nem estila como é preciso / À sua graça bizarra
Não é boémio, nem farra / Pelos botequins soezes
Impera em tascos burgueses / Tem estribilho, é musicado
Hoje é tudo menos fado
E não lhe faltam fregueses