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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa.
Paulo Freire *filósofo* 1921 <> 1997

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Marujo português

Linhares Barbosa / Artur Ribeiro
Repertório de Amália

Quando ele passa, o marujo português
Não anda passa a bailar como ao sabor das marés
Quando se ginga, põe tal jeito, faz tal proa
Só p’ra que se nao distinga se é corpo humano ou canoa

Chega a Lisboa, salta do barco e num salto
Vai parar à Madragoa, ou então ao Bairro Alto
Entra em Alfama, e faz de Alfama o convés
Há sempre um Vasco da Gama, no marujo português

Quando ele passa com seu alcache vistoso
Traz sempre pedras de sal no olhar malicioso
Põe com malícia a sua boina maruja
E se inventa uma carícia, não há mulher que lhe fuja

Uma madeixa de cabelo descomposta
Pode até ser a fatexa de que uma varina gosta
Sempre que passa, o marujo português
Passa o mar numa ameaça de carinhosas marés