Letra e música: Miguel Araújo Jorge
Intérprete: António Zambujo
Quero a vida pacata que acata o destino sem desatino
Sem birra nem mossa, que só coça quando lhe dá comichão
À frente uma estrada, não muito encurvada, atrás a carroça
Grande e grossa que eu possa arrastar sem fazer pó no chão
E já agora a gravata, com o nó que me ata bem o pescoço
Para que o alvoroço, o tremoço e o almoço demorem a entrar
Quero ter um sofá e no peito um crachá, quero ser funcionário
Com cargo honorário e carga de horário e um ponto a picar
Vou dizer que sim, ser assim-assim, assinar a Reader's Digest
Haja este sonho que desde rebento acalento em mim
Ter mulher fiel, filhos, fado, anel, e lua-de-mel em França
Abrandando a dança, descansado até ao fim
Quero ter um T1, ter um cão e um gato e um fato escuro
Barbear o rosto, pagar o imposto, disposto a tanto
Quem sabe amiúde brindar à saúde com um copo de vinho
Saudar o vizinho, acender uma vela ao santo
Quero vida pacata, pataca, gravata, sapato barato
Basta na boca uma sopa com pão, com cupão de desconto
Emprego, sossego, renego o chamego e faço de conta
Fato janota, quota na conta e a nota de conto