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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre
PAULO FREIRE *filósofo* 19.09.1921 / 02.05.1997
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As 5.515 letras publicadas referem a fonte de extração, o que nem sempre quer dizer que os artistas mencionados sejam os seus criadores.
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Babel e Sião

Luiz Vaz de Camões / João Braga
Repertório de João Braga

Sôbolos rios que vão
Por Babilónia, me achei
Onde sentado chorei
As lembranças de Sião
E quanto nela passei

Ali, o rio corrente / De meus olhos foi manado

E, tudo bem comparado / Babilónia ao mal presente
Sião ao tempo passado

Ali, lembranças contentes / Na alma se representaram

E minhas cousas ausentes / Se fizeram tão presentes
Como se nunca passaram

Ali, depois de acordado / C’o rosto banhado em água
Deste sonho imaginado / Vi que todo o bem passado
Não é gosto, mas é mágoa

E vi que todos os danos / Se causavam das mudanças

E as mudanças dos anos / Onde vi quantos enganos
Faz o tempo às esperanças

Vi aquilo que mais vale / Que então se entende melhor

Quanto mais perdido for / Vi ao bem suceder mal
E, ao mal, muito pior

Aquele instrumento ledo / Deixei da vida passada

Dizendo: música amada / Deixo-vos neste arvoredo
À memória consagrada

Que não parece razão / Nem parece cousa idónea
Por abrandar a paixão / Que cantasse em Babilónia
As cantigas de Sião