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Ninguém sabe tudo, ninguém ignora tudo, só todos juntos sabemos alguma coisa <> PAULO FREIRE *filósofo
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Ai se os meus olhos falassem

Nóbrega e Sousa / Jerónimo Bragança
Repertório de Tristão da Silva

Quanto mais quero esquecê-la, vejam lá
Tanto mais me lembro dela, por meu mal
Eu não sei viver sem ela
Passo lá, rente à janela
Sem ver dela nem sinal

Se a encontro por acaso, como é bom
Mas passamos adiante, sem olhar
Por orgulho, quando passo
Eu até apresso o passo
Mas depois volto a passar
                       
Ai se os meus olhos falassem, contavam
Quantas saudades eu tenho de ti
Ando morto por te ver
Vejo-te só a correr
P’ra não ver que te perdi
Ai se os meus olhos falassem, amor
Sabias quem te quer bem
Ai se os meus olhos falassem
Talvez a ti te contassem
O que eu não conto a ninguém

Agora mudou de rua, vejam lá
Tem uma casa mais alta, que estadão
Agora nem parece ela
A rapariga singela
Que eu via no rés do chão

Mudou tanto, tanto, tanto, podem crer
Como do dia p’ra noite, tal e qual
Agora tudo o que resta
Dessa rapariga honesta
É este amor sempre igual