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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa.
Paulo Freire *filósofo* 1921 <> 1997

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Nos tempos em que eu cantava

Fernando Teles / Pedro Rosa *fado rosa*
Repertório de Alfredo Marceneiro

Nos tempos em que eu cantava
Pelos recintos bairristas
Era o fado mais calado
Mas haviam mais fadistas

Os que me vêm tristonho / Quando os meus cantares disperso
Não sabem que vivo imerso / Na divagação de um sonho
Quando em retorno transponho / Da vida, a vereda breve
Que fundas rugas me cava / E o bom humor me dilui
Recordo triste o que fui
Nos tempos em que eu cantava

Se recordar é viver / Só de recordações vivo
Com o coração cativo / Ao que não posso esquecer
Parece que estou a ver / As multidões tão simplistas
Num culto igual aos deistas / ouvindo em silêncio o fado
Tal como era cantando
Pelos recintos fadistas

Entre fadistas de lei / Com o meu concurso não falto
Tenho orgulho em ser da grei / Dos faias do Bairro Alto