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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre
PAULO FREIRE *filósofo* 19.09.1921 / 02.05.1997
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Fado da internet

Letra e música de: Daniel Gouveia
Repertório de Carlos Zel 

O fado p'ra ser castiço / Não é por isso antiquado
Deve até, ser p'ra frentex / E assim é *ex* se trata hoje o fado
Graças ao computador / P
'ra se compor com grande afã
Digita-se um teclado /
E o resultado vê-se no “ecran”

Pode-se falar de tascas / Rameiras rascas, vida indecente
Mas não se vai à taberna / E quem alterna é a corrente
Pode um faia ser gingão / F
alar calão, andar à crava
Pode a fadista usar xaile / M
as é num "file" que isto se grava

Para que a gralha se evite / Faz-se um "delete" e a seguir
Se a memória já não vive / Faz-se "retrieve" no mesmo "dir"
"Enter" que estás a agradar / C
onvém salvar, se a coisa interessa
Mal a letra se define / C
om "print screen" sai logo impressa

Com o título ninguém teime / Faz-se "rename", nem se discute
E se a CPU pendura / Tudo tem cura, basta um "reboot"
Guitarras virtualizadas / V
ozes filtradas por fios eléctricos
O fado activa circuitos / E
os seus intuitos são cibernéticos

Já não se escreve em toalha / A boa malha que vem à mente
Esse bom tempo findou-se / Agora é "windows" o ambiente
O fado é feito com "bits" / E
m "micro-chips", mora em "disquete"
Mas não deixa de ser fado / E
stá paginado na "internet"