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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre
PAULO FREIRE *filósofo* 19.09.1921 / 02.05.1997
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A Micas das violetas

Domingos Gonçalves da Costa / Maximianio de Sousa
Repertório de Max

A Micas era a garota morena
De tranças negras, pequena
Qual mimosa cotovia
Trajava de chinela e meias pretas
Vendendo as frescas violetas
Do Rossio à Mouraria

Enchia a rua com seus pregões
Apaixonou corações
E às vezes, dizia-me ela
Que era a maior ventura sua
Trocar a vida da rua
Por uma casa singela

Como essa, há tantas que andam na vida a sonhar
Com a ventura dum lar, do amor e singeleza
E há quem despreze esse amor puro e perfeito
Que existe dentro do peito duma mulher portuguesa

A Micas das tranças longas e pretas
Que apregoava as violetas
Com gritante mocidade
Casou, nunca mais ninguém a viu
Deixando um espaço vazio
Nas ruas desta cidade

Há dias passou com desembaraço
E em vez de trazer no braço
O açafate das flores
Trazia um filho pequeno ainda
P’ra ela a flor mais linda
Do jardim dos seus amores