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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre
PAULO FREIRE *filósofo* 19.09.1921 / 02.05.1997
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Fado do miradouro

Ary dos Santos / Alfredo Duarte *fado versículo*
Repertório de José Manuel Osório


Do alto do miradouro / da cidade
Com olhos molhados vejo / o que eu adoro
De cabelos cor de ouro / mocidade
Da Lisboa mira tejo / onde eu moro

Da Lisboa mira mágoa / onde eu penso
Com a chita dos telhados / a cobrir
Descosida á beira água / o rio imenso
Em vestidos já cansados / de vestir

De Lisboa mira dor / mas feita gente
Aberta blusa de vento / marinheiro
Talhada em fado menor / amargamente
Caseada a sofrimento / verdadeiro

De Lisboa mira céu / incendiada
No azul da madrugada / que nasceu
De Lisboa que sou eu / apaixonada
Mulher do povo sem nada / que se ergueu

De Lisboa mira espaço / sem limite
Abrindo cada janela / á liberdade
Para que á força do braço / não hesite
E o fumo seja dela / de verdade

Em Lisboa mira Abril / que é primavera
Mesmo no fado menor / que tanto dói
Somos muitos, muitos mil / todos á espera
Duma esperança que é maior / que sempre foi