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<> Ninguém sabe tudo, ninguém ignora tudo, só todos juntos sabemos alguma coisa <> PAULO FREIRE
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Cedo

Manuela de Freitas / Fernando Alvim
Repertório de Cristina Branco

Ruas desertas, águas paradas
Feridas abertas, portas fechadas

Cidade antiga, minha cidade
Que queres que diga se já é tarde

Neste degredo triste e sombrio
O teu segredo, quem o ouviu
Dizes que é cedo, mas tenho medo e sinto frio

Rua das trinas, ao longe o rio
Escadas e esquinas, um assobio
Velhas, meninas, com tristes sinas num bar vazio

Lixo no cais, o casario
Coisas banais, um cão vadio
Desço a calçada, não penso em nada e sinto frio

Jornais, revistas, truques e manhas
Vagos turistas, chuva e castanhas

Ouve-se um canto triste e cansado
Parece um pranto, dizem que é fado

Rua do ouro, chego ao Rossio
Não sei se choro, não sei se rio
Subo a avenida, estou tão perdida, está tanto frio

Cidade antiga, dizes que é cedo
Que queres que te diga se não te entendo
Mas vou ouvindo e repetindo, mesmo não crendo

Até que cedo, minha cidade
Sem frio nem medo, que Deus te guarde
Com teu segredo, contigo aprendo, que nunca é tarde