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Canal de J.F.Castro em parceria com a Rádio Mira

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6.270 LETRAS PUBLICADAS /*/ 2.078.500 VISITAS /*/ MARÇO 2021

ATINGIDO ESTE VALOR /*/ QUE ME FAZ SENTIR HONRADO /*/ CONTINUO, COM AMOR /*/ A SER SERVIDOR DO FADO.

Pois mesmo desagradando // A "Troianos" maldizentes / Os "Gregos" vão apoiando // E vão ficando contentes

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Se não encontra a fado preferido // Envie, por favor, o seu pedido.

fadopoesia@gmail.com

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Pesquisa.

Fado da sereia

Vasco Graça Moura / José Campos e Sousa
Repertório de António Pinto Basto


Ela era cantadeira e um caso sério
Rainha sem rival no seu ofício
E já tinha levado só por vício
Três faias e um banqueiro ao cemitério

A voz, despia-a toda se cantava
No arfar do xaile preto e do decote
Tinha a força noturna de um archote
E a raiva e a revolta de uma escrava

Na boca o seu vermelho era sangrento
Nas mãos curvava as unhas como garras
Nas ancas tinha a curva das guitarras
As fúrias no cabelo eram do vento

Os olhos eram de aço se os abria
Cravando-os em incautos corações
E ao serem mais funestas as paixões
Todo o seu corpo branco estremecia

Cantava como o fogo que devasta
As almas e as cidades de repente
Chamavam-lhe “a sereia” toda a gente
E era como a maré quando ela arrasta

Morreu de um desespero de facadas
No peito, nas carótidas, na cara
Deu-lhas alguém que um dia atraiçoara
E preferiu as mãos ensanguentadas

Não vi mulher mais bela em toda a vida
E em forma de mulher, mais tempestade
Nem voz ouvi que fosse mais verdade
Nem verdade a cantar mais incontida

Baixou por sua vez ao cemitério
Rainha sem rival no seu ofício
O que era de contar agora disse-o
Fica por desvendar o seu mistério