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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre
PAULO FREIRE *filósofo* 19.09.1921 / 02.05.1997
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A cidade

Ary dos Santos / Nuno Nazareth Fernandes
Repertório de Maria Armanda

Em Lisboa, não morro mas espero
O Tejo, a água, a ponte, e o rossio
Em Lisboa, não morro mas espero
Um pouco menos Tejo e menos frio

Em Lisboa, vendendo a minha fruta
De azeite e mel e ódio de saudade
É dentro de mim próprio que eu tropeço
Num degrau de ternura da cidade

Em Lisboa, gaivota que navega
No Terreiro do Paço, por acaso
Encontro a dimensão da minha entrega
No aterro onde me encontro a curto prazo

Limoeiro limão do mar da Palha
Palha pobre de tédio, rio surpresa
Desta Lisboa de água que não falha
Quando do céu azul sobra tristeza

Lisboa meu amor, minha aventura
Em cada beco só uma saída
Alfama meu mirante de lonjura
Má fama que a nós todos dá guarida

Mas nesta angústia que eu canto
Lisboa não vem ao caso