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6.170 LETRAS PUBLICADAS // 2.000.000 VISITAS // DEZEMBRO 2020

Atingido este valor // Que me faz sentir honrado // Continuo, com amor // A ser servidor do fado.

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Avozinha

Henrique Rego / Alfredo Duarte *marcha do marceneiro*
Repertório de Alfredo Marceneiro

Ainda me lembro bem
Dessas noites invernosas / Em que o vento sibilava
E das lendas amorosas
Que a minha avó que Deus tem / Junto à lareira contava

Quando a feroz inverneira
Como se até nos infernos / Rugia lá pelos montes
Ela aquecia os invernos
Que lhe pesavam nas frontes / Indo sentar-se à lareira

Meiguices e seduções
P’ra minha avó se alegrar / Eram certas como prendas
E tinha que me contar
As maravilhosas lendas / Das mouriscas tradições

Então ela me contava
Contos feitos de paixões / Com princesinhas formosas
Encantamentos de moiras
E de fontes preciosas / Que davam ledos quebrantos
Enquanto que embevecido
Eu escutava os encantos / Dessas lendas amorosas

Mas o conto mais dileto
E que mais beleza tinha / P’ra meus sonhos joviais
Era o da terna avozinha
Que com beijos maternais / Fora criando o seu neto

Tinha o conto semelhança
Ao acrisolado afeto / Que minha alma gozava
Que eu, de gozo radiante
Solenemente escutava / E hoje vivo sem desdém
Era o conto mais sentido
Que a minha avó que Deus tem / Junto à lareira contava