Letra de João Dias
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Pelas ruas da memória
Andam sombras inquietas
A sangrar-me o pensamento
Farrapos da minha história
De naufrágios e grilhetas
De velas pobres de vento
Sob os meus pés doloridos
As pedras desta cidade
Cinzenta sem horizonte
Choram sonhos proibidos
Fantasmas duma saudade
De sonhos que andam a monte
Dei por migalhas de amor
Searas verdes de esperança
Num campo grande de trigo
Por cada beijo uma flor
Que eu dava como criança
À procura dum abrigo
Desço ao cais da tua imagem
Olho o mar do meu passado
Alongo os braços ao vento
Na esperança doutra imagem
Deste meu corpo amarrado
À memória doutro tempo