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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa.
Paulo Freire *filósofo* 1921 <> 1997

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Pedra filosofal

Homenagem ao poeta: António Gedeão
*pseudónimo de: Rómulo de Carvalho*
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Eles não sabem que o sonho
É uma constante da vida
Tão concreta e definida

Como outra coisa qualquer

Como esta pedra cinzenta

Em que me sento e descanso
Como este ribeiro manso

Em serenos sobressaltos

Como estes pinheiros altos que em verde e oiro se agitam
Como estas aves que gritam em bebedeiras de azul

Eles não sabem que o sonho é vinho, é espuma, fermento
Bichinho álacre e sedento, de focinho pontiagudo
Que fossa através de tudo, num perpétuo movimento

Eles não sabem que o sonho é tela, é cor, é pincel
Base, fuste, capitel, arco em ogiva, vitral
Pináculo de catedral, contraponto, sinfonia
Máscara grega, magia, que é retorta de alquimista

Mapa do mundo distante, rosa-dos-ventos, infante
Caravela quinhentista que é cabo da boa esperança
Ouro, canela, marfim, florete de espadachim
Bastidor, passo de dança, columbina e arlequim

Passarola voadora, pára-raios, locomotiva
Barco de proa festiva, alto forno, geradora
Cisão do átomo, radar, ultra-som, televisão
Desembarque em foguetão na superfície lunar

Ele não sabem, nem sonham que o sonho comanda a vida
Que sempre que um homem sonha o mundo pula e avança
Como bola colorida entre as mãos duma criança