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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa.
Paulo Freire *filósofo* 1921 <> 1997

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Fado do pescador

Silva Tavares / António Melo
Repertório de Tristão da Silva

A rede posta a secar, a fim de voltar á lida
Cada vez que a lanço ao mar, lanço nela a minha vida

Mas não julguem que me queixe, ou me assusta a profissão
De ir ao mar buscar o peixe, para ter na terra o pão

É constante o sobressalto
Pelo risco de ir ao fundo e não voltar
Mas antes quero o mar alto
Que andar nas bocas do mundo
Lá no mar, a vida dói, custa a levar
Porque o mar é falso, e além de falso é vário
Mas cá na terra é que foi
E não no mar, erguido o calvário

Já ouvi mais que uma vez, ao falar-se do passado
Que do pranto português, foi que o mar ficou salgado

Mas foi o mar que nos trouxe, o respeito universal
E fez com que a gente fosse, nação valente e imortal