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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa.
Paulo Freire *filósofo* 1921 <> 1997

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Cozido à portuguesa

Ary dos Santos / Nuno Nazareth Fernandes
Repertório de Maria Armanda

Nabo, batata e cabeça
Do porco que somos nós
Quando o cozido começa
Temos fervura na voz;
Lombarda do sentimento
Hortelã do teu olhar
Chouriço, sangue cinzento
Palácio do paladar

Esta receita bem mexidinha
Põe a cenoura namorando com o nabo
E quando há um quartinho de galinha
Inté do porco a orelha torce o rabo


Ai cozidinho, cozidinho à portuguesa
Na panela da ternura q
ue é um pouco de nós todos
Ai cozidinho, c
ozidinho à portuguesa
Farinheira da tristeza d
este cozido com todos
Falta hortaliça, f
alta a carne e o toicinho
E o cozido à portuguesa fica triste, fica mau
Pois a colher com que eu mexo o cozidinho
Antes era de madeira, mas agora é só de pau


Eu sei lá do meu cozido
Sei lá o prato que dou
Talvez um prato comido
Por tantas bocas que eu sou;
Bocas da força da vida
Cozido como se fosse
Maré farta de comida
E depois dele arroz doce