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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre
PAULO FREIRE *filósofo* 19.09.1921 / 02.05.1997
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Fado das amendoeiras

Ary dos Santos / Fernando Tordo
Repertório de Carlos do Carmo

Era um rei da terra que cheira a luar
Da terra vermelha que tem a centelha do cheiro do mar
Terra amendoeira, terraço a sangrar
Albufeira dos barcos que pescam
Com a lamparina da luz a piscar
Era um rei que vivia na terra, deitado no mar

Era um rei que foi da Moirama lutar
À terra da neve que tem o silêncio que faz sufocar
País da princesa que no seu tear
Inventava a lenda da renda nos olhos
De amêndoa do amor por chegar
Da princesa bordando tristeza na orla do mar

É no sul que nos dói mais o sol
É ao sol que se vê o azul do Algarve
Que roda como um girassol
Girassol?...
Vá de braços, vá à pesca, não queremos braço mole
À aguadente chamamos figo
À verdade chamamos Aleixo
Que ainda é mais doce que um D.Rodrigo
D.Rodrigo?...
Não o matam que eu não deixo
O Aleixo é meu amigo

É o povo da maré que cheira a suor
E quer o rei queira ou não queira
Resiste num mar que é maior
O mar da traineira, mar do pescador
Este mar, amar desta maneira que é a força primeira
Do mar por amor
Este mar que morre na esteira de aquém e além dor