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Ninguém sabe tudo, ninguém ignora tudo, só todos juntos sabemos alguma coisa <> PAULO FREIRE *filósofo*
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E viemos nascidos do mar

Fausto Bordalo Dias
Repertório de Ana Moura

E muito se espantam da nossa brancura, entretanto
E muitos pasmavam de olhar, olhos claros assim
Palpavam as mãos e os braços, e outras partes, portanto
Esfregavam de cuspo minha pele para ver ser era, enfim:
Uma tinta, ou se era de estampa uma carne tão branca
Vendo assim que era branco o meu corpo
E a brancura de então
Extasiam e muito se pasmam de todo em admiração

E uns escodem as suas vergonhas cobertas de estopas
E eram grandes e gordos e baços, enxutos, os pretos
Pelas ventosidades confundem traseiros e bocas
E tapam aquelas, e estas dobram calafetos

E os mais pardos lá vão quase nús, vão ao léu gabirús
E de tetas até á cintura, há mulheres crepitantes
Tão desnudas maneiam na dança o seu corpo dançante

E eramos bancos de assombro e nascidos do mar
Guiados pelos ventos do céu e pelo voo das aves