- - - - -

- - - - -
Clique na imagem e oiça Fado
- - -
Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre
PAULO FREIRE *filósofo* 19.09.1921 / 02.05.1997
- - - - -
As 5.590 letras publicadas referem a fonte de extração, o que nem sempre quer dizer que os artistas mencionados sejam os seus criadores.
- - - - -
Use o motor de busca *barra de links* para pesquisa rápida e fácil.

E viemos nascidos do mar

Fausto Bordalo Dias
Repertório de Ana Moura

E muito se espantam da nossa brancura, entretanto
E muitos pasmavam de olhar, olhos claros assim
Palpavam as mãos e os braços, e outras partes, portanto
Esfregavam de cuspo minha pele para ver ser era, enfim:
Uma tinta, ou se era de estampa uma carne tão branca
Vendo assim que era branco o meu corpo
E a brancura de então
Extasiam e muito se pasmam de todo em admiração

E uns escodem as suas vergonhas cobertas de estopas
E eram grandes e gordos e baços, enxutos, os pretos
Pelas ventosidades confundem traseiros e bocas
E tapam aquelas, e estas dobram calafetos

E os mais pardos lá vão quase nús, vão ao léu gabirús
E de tetas até á cintura, há mulheres crepitantes
Tão desnudas maneiam na dança o seu corpo dançante

E eramos bancos de assombro e nascidos do mar
Guiados pelos ventos do céu e pelo voo das aves