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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa.
Paulo Freire *filósofo* 1921 <> 1997

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Estrela da tarde

Ary dos Santos / Fernando Tordo
Repertório de Carlos do Carmo 

Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde tão tarde que a boca tardando-lhe o beijo, morria
Quando à boca da noite surgiste na tarde, qual rosa tardia

Quando nós nos olhamos, tardamos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficamos, unidos, ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde que tanto tardaste, o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia


Meu amor, meu amor, minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor, eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor, eu não tenho a certeza

Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite, de beijos e aromas se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite, uma festa de fogo fizeram

Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite se deram
E entre os braços da noite, de tanto se amarem, vivendo, morreram

Eu não sei meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço, e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto
Meu amor... nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto