... e porque nem só de fado vive a alma portuguesa ...

*encontrará neste blogue letras de algumas canções que merecem ser perpetuadas*
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Tenho vindo a publicar letras (de autores que já partiram) sem indicação de intérpretes ou compositores na esperança de obter informações detalhadas sobre os temas.
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As letras publicadas referem a fonte de extração, ou seja: por falta de informação nem sempre são mencionados os criadores dos temas aqui apresentados.
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O1/01/2026 <> 8.120 letras publicadas <> 4.625.000 VISITAS

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Madrugada

Letra e música de José Luís Tinoco
Repertório de Duarte Mendes
Festival RTP 1975

Dos que morreram sem saber porquê
Dos que teimaram em silêncio e frio
Da força nascida no medo
E a raiva à solta manhã cedo
Fazem-se as margens do meu rio

Das cicatrizes do meu chão antigo
E da memória do meu sangue em fogo
Da escuridão a abrir em cor
Do braço dado e a arma flor
Fazem-se as margens do meu povo

Canta-se a gente
Que a si mesma se descobre
E acorda vozes arraiais
Canta-se a terra
Que a si mesma se devolve
Que o canto assim nunca é demais


Em cada veia o sangue espera a vez
Em cada fala se persegue o dia
E assim se aprendem as marés
Assim se cresce e ganha pé
Rompe a canção que não havia

Acordem luzes
Nos umbrais que a tarde cega
Acordem vozes e arraiais
Cantem despertos
Na manhã que a noite entrega
Que o canto assim nunca é demais


Cantem marés
Por essas praias de sargaços
Acordem vozes, arraiais
Corram descalços
Rente ao cais, abram abraços
Que o canto assim nunca é demais