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ATINGIDO ESTE VALOR // QUE ME FAZ SENTIR HONRADO // CONTINUO, COM AMOR // A SER SERVIDOR DO FADO - - -
POIS MESMO DESAGRADANDO // A TROIANOS MALDIZENTES // OS GREGOS VÃO APOIANDO // E VÃO FICANDO CONTENTES
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Cerejas

Mote de Augusto Gil / Glosa de Henrique Rego
Letra publicada no jornal Guitarra de Portugal, em Junho de 1938


Cerejas frescas, vermelhas
Pendentes pelos caminhos
São brincos para as orelhas
Das filhas dos pobrezinhos


São lindos os cerejais / Nas madrugadas frescosas
Quando Maio, o mês das rosas / Desabrocha nos rosais
Pelos campos os zagais / Desenvoltos, qual abelhas
Deixam as mansas ovelhas / Bebendo pelos ribeiros
Enquanto colhem, ligeiros
Cerejas frescas, vermelhas

Frutos de polpa macia / Que me entontecem de amor
Por serem da rubra cor / Desses teus lábios, Maria
Por isso, ao romper do dia / Mal se oiça cantar os ninhos
Vamos como dois pombinhos / Colhê-los, com devoção
Dos débeis ramos que estão
Pendentes pelos caminhos

Hás-de vibrar de ventura / Quando tua boca ardente
Mordiscar suavemente / Esses rubis de doçura
Depois, farás com ternura / Já que aos anjos te assemelhas
Desses frutos às parelhas / Pingentes inimitáveis
Que as cerejas adoráveis
São brincos para as orelhas

Brincos próprios da inocência / Simples jóias de crianças
Maravilhosas heranças / Deixadas p’la indigência
Sem mostrardes a fulgência / Dos vis minérios daninhos
Vão p’ra vós os meus carinhos / Cerejas dos meus anelos
Por serdes brincos singelos
Das filhas dos pobrezinhos