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6.170 LETRAS PUBLICADAS // 2.000.000 VISITAS // DEZEMBRO 2020

Atingido este valor // Que me faz sentir honrado // Continuo, com amor // A ser servidor do fado.

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Clandestinos do amor

Letra e música de António Pedro Vasconcelos
Tema do filme *Os gatos não têm vertigens*
Intérprete: Ana Moura 

Vivemos sempre sem pedir licença
Cantávamos cantigas proibidas
Vencemos os apelos da descrença
Que não deixaram mágoas nem feridas

Clandestinos do amor, sábios e loucos
Vivemos de promessas ao luar
Das noites que souberam sempre a pouco
Sem saber o que havia p’ra jantar

Mas enquanto olhares p’ra mim eu sou eterna
Estou viva enquanto ouvir a tua voz
Contigo não há frio nem inverno
E a música que ouvimos vem de nós

Vivemos sem saber o que era o perigo
De beijos e de cravos encarnados
Do calor do vinho e dos amigos
Daquilo que p’rós outros é pecado

Tu sabias que eu vinha ter contigo
Pegaste-me na mão para dançar
Como se acordasse um sonho antigo
Nem a morte nos pode separar

Nós somos um instante no infinito
O fragmento à deriva no universo
O que somos não é para ser dito
O que sente não cabe num só verso