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5.915 LETRAS // 1.500.000 VISITAS // DEZEMBRO 2019

Fala do homem nascido

Letra: António Gedeão / José Niza
Repertório de António Palma

Venho da terra assombrada / Do ventre de minha mãe
Não pretendo roubar nada / Nem fazer mal a ninguém

Só quero o que me é devido / Por me trazerem aqui
Que eu nem sequer fui ouvido / No acto de que nasci

Trago boca p’ra comer / E olhos pra desejar
Tenho pressa de viver / Que a vida é água a correr

Venho do fundo do tempo
Não tenho tempo a perder
Minha barca aparelhada
Solta o pano rumo ao norte
Meu desejo é passaporte
Para a fronteira fechada


Não há ventos que não prestem
Nem marés que não convenham
Nem forças que me molestem
Correntes que me detenham

Quero eu e a natureza / Que a natureza sou eu
E as forças da natureza / unca ninguém as venceu

Com licença com licença
Que a barca se fez ao mar
Não há poder que me vença
Mesmo morto hei-de passar
Com licença com licença
Com rumo à estrela polar