João Monge / João Gil
Repertório da Ala dos Namorados
Parava no café quando eu lá estava
Na voz tinha o talento dos pedintes
Entre um cigarro e outro, lá cravava
A bica… ao melhor dos seus ouvintes
As mãos e o olhar da mesma cor
Cinzenta como a roupa que trazia
Um gesto que podia ser de amor
Sorria… e ao partir agradecia
São os loucos de Lisboa
Que nos fazem duvidar
A Terra gira ao contrário
E os rios nascem no mar
Um dia numa sala do quarteto
Passou um filme lá do hospital
Onde o esquecido filmado no gueto
Entrava… como artista principal
Compramos a entrada p'rá sessão
Pra ver tal personagem no ecran
O rosto maltratado era a razão
De ele… não aparecer pela manhã
Mudamos muita vez de calendário
Como o café mudou de freguesia
Deixamos de tributo a quem lá pára
Um louco… a fazer-lhe companhia
É sempre a mesma pose o mesmo olhar
De quem não mede os dias que vagueiam
Sentado lá continua a cravar
Beijinhos… às meninas que passeiam