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Rádio apadrinhada pelo mestre RODRIGO

Rádio apadrinhada pelo mestre RODRIGO
CANAL DE JOSÉ FERNANDES CASTRO EM PARCERIA COM A RÁDIO MIRA

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* As letras publicadas referem a fonte de extração, ou seja: nem sempre são mencionados os legítimos criadores *

<> 6.365 LETRAS <> 2.347.000 VISITAS <> NOVEMBRO 2021 <>

* ATINGIDO ESTE VALOR /*/ QUE ME FAZ SENTIR HONRADO /*/ CONTINUO, COM AMOR /*/ A SER SERVIDOR DO FADO *

* POIS MESMO DESAGRADANDO /*/ A *TROIANOS* MALDIZENTES /*/ OS "GREGOS VÃO APOIANDO /*/ E VÃO FICANDO CONTENTES *

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* NASCEU ASSIM... CRESCEU ASSIM... CHAMA-SE FADO // Vasco Graça Moura // Porto 03.01.1942 // Lisboa 27.04.2014 *

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ANTÓNIO ALEIXO

Tributo a ANTÓNIO ALEIXO
O maior poeta popular português
Vila Real de Santo António 18-02-1899
Loulé 16-11-1949


Peço às altas competências / Perdão, porque mal sei ler
P'ra algumas deficiências / Que meus versos possam ter
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Há luta por mil doutrinas! / Se querem que o mundo ande;
Façam das mil pequeninas / Uma só doutrina grande
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Da guerra, os grandes culpados / Que espalham a dor na terra
São os menos acusados / Como culpados da guerra
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Se fazes tudo ás avessas / Para que prometes tanto?
Não me faças mais promessas / Bem sabes que não sou santo
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Não escolho amigos á toa / Sempre temendo algum perigo
Primeiro, escolho a pessoa / Depois, escolho o amigo
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Sei que pareço ladrão / Mas há muitos que eu conheço
Que sem parecer o que são / São aquilo que eu pareço
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Não sou esperto nem bruto / Nem bem nem mal educado
Sou apenas o produto / Do meio em que fui criado
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Contigo em contradição / Pode estar um bom amigo
Duvida daqueles que estão / Sempre de acordo contigo
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A vida é uma ribeira / Caí nela, infelizmente
Hoje vou, queira ou não queira / Aos trambolhões na corrente
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Ser artista é ser alguém / Que bonito é ser artista
Ver as coisas mais além / Do que alcança a própria vista
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A ninguém faltava o pão / Se este dever se cumprisse
Ganharmos em relação / Com o que se produzisse
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Vinho que vai p'ra vinagre / Não retrocede o caminho
Só por obra de milagre / Volta de novo a ser vinho
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Ao chamar-te inteligente / Ficaste desconfiado
Por ser um nome diferente / Dos que te têm chamado
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O mundo só pode ser / Melhor do que até aqui
Quando consigas fazer / Mais p'los outros, que por ti

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Se pedir, peço cantando / Sou mais atendido assim
Porque se pedir chorando / Ninguém tem pena de mim
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Entre leigos ou letrados / Fala só de vez em quando
Que nós, às vezes calados / Dizemos mais que falando
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És um rapaz instruído / És um Doutor!... em resumo
És um limão que espremido / Não dá caroço nem sumo

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Fui polícia, fui soldado / Estive fora da nação
Vendo jogo, guardo gado / Só me falta ser ladrão
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São João, reparem nisto / Teve este grande condão
Ao batizar Jesus Cristo / Foi quem fez Cristo, cristão
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Ontem rei, hoje sem trono / Cá ando outra vez na rua
Entreguei a roupa ao dono / E a miséria continua
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Embora os meus olhos sejam / Os mais pequenos do mundo
O que importa é que eles vejam / O que os homens são no fundo
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Que importa perder a vida / Na luta contra a traição

Se a razão mesmo vencida / Não deixa de ser razão
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Vós que lá do vosso império / Prometeis um mundo novo

Calai-vos que pode o povo / Querer um mundo novo a sério
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O pão que sobra à riqueza / Distribuido p'la razão
Matava a fome à pobreza / E ainda sobrava pão
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Pára-raios nas igrejas / É p'ra mostrar aos ateus
Que alguns padres que eu conheço / Não têm confiança em Deus
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Quando a verdade os aterra / Querem a moral pregar
Prometendo no céu dar / O que nos roubam na terra
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Eu não tenho vistas largas / Nem grande sabedoria
Mas dão-me as horas amargas / Lições de filosofia
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O homem sonha acordado / Sonhando, a vida percorre
E desse sonho doirado / Só acorda quando morre
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Embora me queiras tanto / Quanto pode o bem-querer
Não me queres tanto quanto / Te quero sem te dizer
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Não digas que me enganaste / Por ter confiado em ti
Muito mais do que levaste / Ganhei eu no que aprendei
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Só quando sinceramente / Sentirmos a dor de alguém
Podemas descrever bem / A mágoa que essa alguém sente

Outras quadras se seguirão