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Procure a letra do Fado * Pelo título correto * E veja aqui publicado * O seu Fado predileto.
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Por questões de funcionalidade, existem índices divididos em 2/3 colunas. > Os Fados de Coimbra bem como os Fados Humorísticos estão em colunas próprias.

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Quadras soltas

Amália Rodrigues / Amélia Muge
Repertório de Amélia Muge

Joguei às cinco pedrinhas
Perdi todas as jogadas
Quando vi que tu não vinhas
Pedrinhas eram pedradas

Papoila grito de cor / Tanto trigo te quer bem
Mais quero eu ao meu amor / Amor que amor não me tem

Abri-te o meu coração / Tu fechas-me a tua casa
E não te vejo senão / Com um grãozinho na asa

Tenho um lindo namorado / Que me ama perdidamente
Tem um defeito coitado / Ama assm a toda a gente

Quem o seu amor perdeu / E não queria ter perdido
Anda a chorar como eu / Que trago o meu no sentido

José Guimarães

Tributo do poeta Fernando Campos de Castro

Poeta que andaste pela rua
Que chamaste noiva à lua 
E irmão ao vento agreste
Neste dia em que te canto
Rimo alegria com pranto 
Nos poemas que me deste

Poeta amigo... amante das coisas belas
Que soubeste ler nas estrelas 
Mistérios que ninguém lê
Poeta amigo... que chamaste mãe à cidade
Só tu viste a claridade
Num mundo que ninguém vê

Poeta que viste longe e mais alto
Fazendo dum sobressalto
O teu mar de calmaria
Em cada noite perdida
Fizeste da própria vida
Uma loucura sadia

Poeta amigo... que fizeste da madrugada
A tua casa encantada
Onde não posso morar
Poeta amigo... que fecundaste a esperança
Nos teus olhos de criança
É que aprendi a sonhar
 
Dá-me os teus versos, t
eus mundos de fantasia
E toda a melancolia dos teus sentidos dispersos
Dá-me os teus versos, a tua vida secreta
Essa alma de poeta feita de mil universos

Avozinha

Henrique Rego / Alfredo Duarte *marcha do marceneiro*
Repertório de Alfredo Marceneiro

Ainda me lembro bem
Dessas noites invernosas / Em que o vento sibilava
E das lendas amorosas
Que a minha avó que Deus tem / Junto à lareira contava

Quando a feroz inverneira
Como se até nos infernos / Rugia lá pelos montes
Ela aquecia os invernos
Que lhe pesavam nas frontes / Indo sentar-se à lareira

Meiguices e seduções
P’ra minha avó se alegrar / Eram certas como prendas
E tinha que me contar
As maravilhosas lendas / Das mouriscas tradições

Então ela me contava
Contos feitos de paixões / Com princesinhas formosas
Encantamentos de moiras
E de fontes preciosas / Que davam ledos quebrantos
Enquanto que embevecido
Eu escutava os encantos / Dessas lendas amorosas

Mas o conto mais dileto
E que mais beleza tinha / P’ra meus sonhos joviais
Era o da terna avozinha
Que com beijos maternais / Fora criando o seu neto

Tinha o conto semelhança
Ao acrisolado afeto / Que minha alma gozava
Que eu, de gozo radiante
Solenemente escutava / E hoje vivo sem desdém
Era o conto mais sentido
Que a minha avó que Deus tem / Junto à lareira contava

Oh águia

Henrique Rego / Alfredo Duarte *fado cravo*
Repertório de Alfredo Marceneiro

Oh águia que vais tão alta
Num voar vertiginoso
Por essas serras de além
Leva-me ao céu, onde tenho
A estrela da minha vida
A alma da minha mãe

Loucos sonhos juvenis / Fervilham na minha mente
Que me fazem ficar chorando
Quando tu, águia imponente / Te vejo transpor, voando
As serras e os alcantis

Quando te vejo voar / Pelo vasto firmamento
Sobre as campinas desertas
Com profundo sentimento / Tu, em meu peito despertas
Sonhos que fazem chorar

Oh velha águia altaneira / Vem aliviar-me, vem
Do mal que me veio ferir
Vê se ao céu me transportas / Para de beijos cobrir
A alma da minha mãe

Perguntas-me

Linda Leonardo / Popular *fado das horas*
Repertório da autora

Perguntas-me o que é o fado
Perguntas-me de onde vem
É o caminho traçado
Que cada um de nós tem

Cantar o fado é juntar / Guitarras com poesia
É saber entrelaçar / A tristeza e a alegria

É trazer à flor da pele / As emoções desta vida
É força que nos impele; / Confissão apetecida

Ser fadista é ser maior / É sentir como ninguém
Aquele desgosto de amor / Que foi desgosto d’alguém

Fado, é mais do que uma prece / Fado, é voz do coração
Fado, que nos enternece / Fado é reza, é oração

A voz do meu coração

Fernando Alves / Armando Machado *fado Maria Rita*
Reportório de Jorge César

Sou ave que já não canta
Sou fadista sem garganta
Tenho fado nos meus dedos
Nos momentos mais sofridos
Eu sinto nos meus sentidos
Desvendar os seus segredos

Nos meus versos canto um fado
Neste tom bem magoado / Com tristonha melodia
E na voz do coração
Eu canto a solidão / A saudade e nostalgia

No meu fado há outros fados
Destinos desencontrados / Amores, desilusões
Retalho de muitas vidas
Recordações esquecidas / E momentos de emoções

Quando o meu fado acabar
Meus dedos vão-se calar / No silêncio bem profundo
Termina a solidão
E a voz do meu coração / Já não canta neste mundo

Águas passadas

Henrique Rego / Miguel Ramos *fado alberto*
Repertório de Alfredo Duarte Jnr.

Não me importam loucuras que fizeste
Num desatino torpe e desvairado
Esqueci os desgostos que me deste
Sepultei para sempre o teu passado

Não me importa que exista quem se gabe
De outrora ter fruído os teus carinhos
Se todo o mundo abertamente sabe
Que águas passadas não movem moinhos

Se alguém nos bate à porta, nós devemos
Só perguntar quem é e não quem foi
Porque o presente com os dons supremos
As manchas do pretérito destrói

O teu passado, visto de relance
Foi um romance de tragédia viva
Mas hoje a tua vida é um romance
De ternura que nos prende e nos cativa

Se um demente ou qualquer ser imperfeito
É respeitado esteja onde estiver
Assim deve também haver respeito
P’lo passado infeliz duma mulher

Loucura de amor

Henrique Rego / Pedro Rodrigues *fado primavera*
Repertório de Carlos Anjos

Chamaste-me louco um dia
E mal, então, eu sabia
Como o amor nos sorri
Foi feita a tua vontade
Hoje sou louco, é verdade
Mas louco apenas por ti

Não é loucura de louco
Esta loucura que há pouco / Roubou-me a voz da razão
Mas é loucura maior
Eu ando louco de amor / Sou louco do coração

Vivendo assim sem ter cura
Esta amorosa loucura / Que te acabo de contar
Só te peço, minha vida
Que não me negues guarida / No louco do teu olhar

Sou andorinha ferida

António Carvalho da Costa / Casimiro Ramos *fado freira*
Repertório de Fernanda Meireles

Sou andorinha ferida
Ave com asa partida
Que não pode mais voar
Minhas penas são a vida
São a esperança já perdida
Que ainda me venhas a amar

O meu ninho de beiral
Feito de lama e de sal / De paz, amor e ventura
Não há remédio ideal
Para a cura deste mal / Deste mal que não tem cura

As penas perdem beleza
São negras, mas de tristeza / De viver penosa espera
Nesta dor, nesta incerteza
De já não seres com certeza / Para mim, a primavera

Os velhinhos

Henrique Rego / Alfredo Duarte *lembro-me de ti*
Repertório de Alfredo Marceneiro

Sentados nos degraus musgosos duma ermida
Dois velhos aldeões mortinhos de saudade
Com palavras de amor cândidas como as rosas
Lembravam com ternura a morta mocidade

Nos olhos do velhinho e com doce lembrança
Transparecia o amor do tempo já passado
E da velhinha, a voz, imersa em confiança
Lembrava um par gentil em dia de noivado

Eu tenho uma ambição, um grande e vasto sonho
Diz o velhinho em voz de estática doçura
Já que Deus nos uniu neste mesmo lar risonho
Só peço que nos dê a mesma sepultura

A festa do fado

Letra e música de Alice Pimenta
Repertório da autora

Eu sonhei em tempos idos
E aspirei ser feliz
Ninguém matou meus sentidos
E eu tenho aquilo que quis

Fiz um tapete d’esperança
Que de mansinho pisei
Já deixei de ser criança
Mas p’ra mim o sonho é rei

Versos ao fado, eu canto
P’ra não sofrer de amor
Com este encanto a vida é melhor
P’ra não ter dissabores
Pois por enquanto meu mal é d’amores

Vou cantando uma cantiga
E ao vento que passa, digo
O teu conforto me abriga
Quero ir passando contigo

Ao sol belo e majestoso
Peço que deixe brilhar
Aquele ser já idoso
Que teima em se enamorar

Mocidade perdida

Henrique Rego / última estrofe de Linhares Barbosa / Popular *fado menor*
Dueto de Alfredo Marceneiro e Alfredo Duarte Jnr

Amar demais é doidice
Amar de menos maldade
Rosto enrugado é velhice
Cabelo branco é saudade

Saudades são pombas mansas / A quem nós damos guarida
Paraíso de lembranças / Da mocidade perdida

Se a neve cai ao de leve / Sem mesmo haver tempestade
O cabelo cor da neve / Às vezes não é da idade
       
Pior que o tempo em nos pôr / A cabeça encanecida
São as loucuras de amor / São os desgostos da vida

Para o passado não olhes / Quando chegares a velhinho
Porque é tarde, já não podes / Voltar atrás ao caminho

É como a lenha queimada / Dos velhos, o coração
As cinzas são as saudades / Dos tempos que já lá vão

É tão bom ser pequenino
Ter pai, ter mãe, ter avós
Ter esperança no destino
E ter quem goste de nós

Passei ao lado

Letra e música de João Fernando
Repertório de Afonso Oliveira

Quando olho para trás
Sinto a dor de quem trabalha
Sem nada poder escolher
Nem mesmo a voz que o comanda;
O sentido da palavra
O mal de ter ou não ter

Passei ao lado da canção que não cantava
Dos fados que me ensinaram
E por amor estou aqui
Passei ao lado das coisas que eu sonhava
Quando ninguém me afirmava
Deves seguir por aí
Nasci num porto que me deu a aventura
E consentiu a ternura
Dum novo amanhecer
E eu falava com a margem do meu Tejo
Pedindo que desse um beijo
À força do meu querer

Olho a luz que me rodeia
No acender da candeia
Que me faz continuar;
Então agora é verdade,
Aquilo que se semeia
Pode ser o meu cantar

Rua do penedo

Carlos Leitão / Frederico de Brito *fado dos sonhos*
Repertório de Mara Pedro

Fiquei atrás da janela
Sem saber olhar por ela
À espera de te encontrar
Ainda pensei que talvez
Me sorrisses outra vez
Quando te visse passar

Mas a manhã demorou
E quando a tarde chegou / Tu não vieste com ela
Pode ter sido ilusão
Mas juro que a minha mão / Já não fechou a janela

As horas passam por mim
O dia já está no fim / Quando te vejo sorrir
O tempo guarda a vontade
De amanhã ter mais saudade / Quando voltares a partir

Já não há fora de portas

Henrique Rego / Popular *fado corrido*
Repertório de Alfredo Duarte Jnr.

Desapareceram as hortas
Retiros de patuscadas
Já não há fora de portas
Nem saudosas guitarradas

Foram-se as festas pacatas / De fado a horas mortas
Findaram as serenatas / Desapareceram as hortas

Boémios afidalgados / Das estúrdias e touradas
Frequentavam afamados / Retiros de patuscadas

O imortal corridinho / Que tu, guitarra, transportas
Perdeu o brilho e o carinho / Já não há fora de portas

Perdeu-se o nosso passado / De cantos e desgarradas
Já não há esperas de gado / Nem saudosas guitarradas

As fontes da minha aldeia

Henrique Rego / Alfredo Duarte 
Repertório de Alfredo Marceneiro

As fontes da minha aldeia
Murmuram, gemem em coro
E as águas que vão correndo
Levam consigo o meu choro

Era perto dessas fontes / Que em transportes de poeta
Amei pastora dileta / Como o sol adora os montes
Era linda e tinha as frontes / Orladas de tranças d’ouro  
Mas a parca, por desdouro / Veio ceifar-lhe a sua vida;
E as fontes, com dor sentida
Murmuram, gemem em coro                       

Ao ver as linfas serenas / Gemerem queixas e mágoas
Mergulhei em suas águas / O meu rosário de penas
Assim foram mil verbenas / Por entre as pedras nascendo
E o musgo que vai crescendo / Enlaça-as com singeleza;
Conservando-lhe a beleza
As águas que vão correndo

É fado a nossa vida

Vitor de Deus / Arménio de Melo
Repertório de Mónica Pinto

É fado a nossa vida e sem maldade
Os sonhos vão crescendo, cresce a esperança
Venturas, desventuras e de criança
Tudo fica na mente com saudade

Eu vivo assim
Porque já tenho a meu lado
Uma dor sem fim
Que me deu meu triste fado
Talvez um dia
Para ficar sossegada
A nostalgia vá viver
P’ra outro lado

A dor que me destrói é o tormento
Da vida que me embala há muitas luas
Desespero cruel, mas sem lamento
Carrego as minhas mágoas e as tuas

Amor campestre

Henrique Rego / Popular *fado mouraria*
Mariana Silva e Alfredo Marceneiro

Ela
São duas amoras pretas / Teus olhos enfeitiçados
Ai quem me dera colhê-los / P’ra acabarem meus cuidados

Ele  
P’ra acabarem meus cuidados / P’ra acabar minha paixão
Dou-te os meus olhos e tu / Dá-me em troca o coração

Ela
Dá-me em troca o coração / Quando o sol bater na eira
Terra que o sol não aqueça / Não dá boa sementeira

Ele
Não dá boa sementeira / Nem dão frutos os pomares
Não há sol que abrase mais / Do que o sol de dois olhares

Ela
Do que o sol de dois olhares / P’ra alumiar os amantes
Quando cantam rouxinóis / Pelas quebradas distantes

Ele
Ontem à tarde na fonte / Meu amor foi desprezado
Ou falavas com as águas / Ou tens outro conversado

Ela   
Ou tens outro conversado / Não me digas tal loucura
Ele  
Tua boca é um pão alvo / Que a minha boca procura

Cabelo branco

Henrique Rego / Popular *fado mouraria*
Repertório de Alfredo Marceneiro

Mais uma noite perdida
Mais uma noite de fado
É mais um dia de vida
A recordar o passado

Amar demais é doidice / Amar de menos maldade
Rosto enrugado é velhice / Cabelo branco é saudade

Saudades são pombas mansas / A quem nós damos guarida
Paraíso de lembranças / Da mocidade perdida

Se a neve cai ao de leve / Sem mesmo haver tempestade
O cabelo cor da neve / Às vezes não é da idade
       
Pior que o tempo em nos pôr / A cabeça encanecida
São as loucuras d’amor / São os desgostos da vida

Para o passado não olhes / Quando chegares a velhinho
Porque é tarde, já não podes / Voltar atrás ao caminho

O teu vestido azul - 1

Henrique Rego / Alfredo Duarte *fado maria marques c/versículo ?*
Repertório de Carlos Duarte

O azul é a cor do meu sonho / encantador
Que me vive no sentido / e nesse véu
Em tudo, em tudo suponho / a mesma cor
Ver o azul do teu vestido / cor do céu

Tem o azul com que encantas / tais encantos
O que será que essa cor tem / que me inebria
De azul trajam as santas / com seus mantos
E vestes de azul também / e és Maria

Sobressai tua beleza / e perfeição
No teu vestido envolvido / nessa cor
De mulher e portuguesa / coração
Que bem sabe amar na vida / com amor

Que segredo mora aí / nesse teu seio
Cofre de paixões infindas / misteriosas
Tua boca é um rubi / partido ao meio
E os teus dentes pérolas lindas / preciosas

Que importa, pois, outra cor / ou outros laços
Se de outra não sei gostar / toma sentido
Deus proteja o meu amor / nesses teus passos
Enquanto eu vivo a sonhar / com teu vestido

Última porta

Letra e música de Frederico de Brito
Repertório de Rodrigo

Abandonou-se ao desespero
Foi como náufrago sem rumo
Nunca na vida foi sincero
Por fim perdeu todo o aprumo

Falto d’amparo andou fugido
Não viu na vida um mau pronúncio
Até que ao fim, desiludido
Pôs nos jornais mais este anúncio

Resto d’esperança, perdeu-se
Do largo da ilusão à rua do esquecimento
Tem manchas de ingratidão
E sinais de sofrimento
Quem a achou, se não se importa
Entregue-a mesmo à saída
Do beco do fim da vida
Última porta

Vida que eu sei que anda ao acaso
Que não se inveja nem se gaba
Uma licença a curto prazo
Que ninguém sabe quando acaba

Não a ganhou, era uma herança
Foi dissipada aí a rodos
Como perdeu também a esperança
Vem amanhã nos jornais todos