Letra de Alberto Janes
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Uns três ou quatro amigos leais
Outros tantos sorrisos de mulher
Uns cinco litros ou mais
E um regato a correr
Cheiro de pimentos no ar
Os copos de mão em mão
E o sol a querer-se sentar
Ao lado do garrafão
Tem tal sabor o campo e graça tanta
Que canta tudo em redor
No campo quando alguém canta
Um petisquinho quando a vida nos afronta
E tantos copos de vinho
P’ra ficar na boa conta
Em versos feitos à desgarrada
Todos, todos, cantam por chalaça
E a bela sardinha assada
Rescende que é uma graça
O copo sempre virado
Até ver-se bem o fundo
E depois canta-se o fado
E é quase o fim do mundo
E pianinho, num corrido bem marcado
O sentimento e carinho
Brincam nos versos do fado
É-se poeta, põe-se em tudo o coração
E uma guitarra preta
Parece nascer do chão
Ao sol postinho cheira a mentastro
O campo todo é serenidade
Fugiram beijos prós pastos
A brincar em liberdade
E do céu esta harmonia
Desce a noite toda enternecida
A marcar o fim dum dia
Dos melhores da minha vida
Andam gemidos nos ramos do arvoredo
São rouxinóis atrevidos
A cantar sem terem medo
Pois os artistas ficam ali dois a dois
Dá a cidade os fadistas
O campo dá rouxinóis