... e porque nem só de fado vive a alma portuguesa ...

*encontrará neste blogue letras de algumas canções que merecem ser perpetuadas*
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Tenho vindo a publicar letras (de autores que já partiram) sem indicação de intérpretes ou compositores na esperança de obter informações detalhadas sobre os temas.
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
As letras publicadas referem a fonte de extração, ou seja: por falta de informação nem sempre são mencionados os criadores dos temas aqui apresentados.
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
O1/01/2026 <> 8.130 letras publicadas <> 4.625.000 VISITAS

.

Fado do piquenique

Letra de Alberto Janes
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.


Uns três ou quatro amigos leais
Outros tantos sorrisos de mulher
Uns cinco litros ou mais
E um regato a correr

Cheiro de pimentos no ar
Os copos de mão em mão
E o sol a querer-se sentar
Ao lado do garrafão

Tem tal sabor o campo e graça tanta
Que canta tudo em redor
No campo quando alguém canta
Um petisquinho quando a vida nos afronta
E tantos copos de vinho
P’ra ficar na boa conta

Em versos feitos à desgarrada
Todos, todos, cantam por chalaça
E a bela sardinha assada
Rescende que é uma graça

O copo sempre virado
Até ver-se bem o fundo
E depois canta-se o fado
E é quase o fim do mundo

E pianinho, num corrido bem marcado
O sentimento e carinho
Brincam nos versos do fado
É-se poeta, põe-se em tudo o coração
E uma guitarra preta
Parece nascer do chão

Ao sol postinho cheira a mentastro
O campo todo é serenidade
Fugiram beijos prós pastos
A brincar em liberdade
E do céu esta harmonia
Desce a noite toda enternecida
A marcar o fim dum dia
Dos melhores da minha vida

Andam gemidos nos ramos do arvoredo
São rouxinóis atrevidos
A cantar sem terem medo
Pois os artistas ficam ali dois a dois
Dá a cidade os fadistas
O campo dá rouxinóis