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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa.
Paulo Freire *filósofo* 1921 <> 1997

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O que sobrou da Mouraria

João Nobre / Paulo Fonseca / Rogério Bracinha / César d'Oliveira
*Gravado também com o título *Restos da Mouraria*

Repertório de Tony de Matos

Eu nasci na Mouraria
Num prédio que resistia / Ao progresso que o venceu
Um dia, tanto gingou / Por fim, não se aguentou

E de saudades morreu

Pequeno prédio gingão
Donde via a procissão / Espalhar fé, pelo caminho
E toda a gente sentia / Que as ruas da Mouraria

Cheiravam a rosmaninho

Naquela casinha morou a Severa no tempo passado
E o alegrete, fidalgo que era vizinho do fado
Mas em cada esquina um resto de outrora, a vida deixou
E na capelinha mora uma senhora que não se mudou

Eram ruas estreitinhas
Grinaldas e janelinhas / Á beirinha do telhado
E a tal Rua dos Canos / Era a Rua dos Enganos
Morava ali o pecado

Quando abria o vinho novo
Esse champanhe do povo / Que barulho e alegria
Havia ramos de louro / A anunciar o tesouro
P'las tascas da Mouraria