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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa.
Paulo Freire *filósofo* 1921 <> 1997

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Gosto do fado vadio

Pedro Bandeira Freire / Diniz Machado / Paco Bandeira
Repertório de Maria Armanda

Gosto do fado vadio / Bem batido, ao desafio
Sem estrelas a dar nas vistas
Nas tascas à beira do rio / Não entra o fado bafio
Cozinhado p’ra turistas

Dá sopa nas cenas canalhas / De ciúme, de navalhas
Marialvas e marradas
Dá com os pés nos mirones / E manda a casa os camones
Que querem fado e touradas

O fado é chama do presente
Labareda do passado
Queimando a alma da gente;
É tempo de cantar honestamente
Os fados que a gente sente

Ó fado de antigamente / Do futuro e do passado
És o mais apreciado
És vadio, felizmente / Porque és povo, porque és gente
Nunca és ultrapassado

Ó velho fado de outrora / Que cá dentro se demora
A mexer com sentimento
Salta mas é cá p’ra fora / Porque agora está na hora
De mostrares o teu talento

Ai é tão caro este fado / Ao povo que o quer cantado
Dado de mesa p’ra mesa
Por isso é que o fado vadio / É mais povo, mais sadio
E mais nosso, concerteza

Quem canta desta maneira / Tem presente à sua beira
A alegria ou a tristeza
Canta a saudade, a ternura / A amizade e a aventura
Da língua que é portuguesa